Conheçam mais uma história do Ten. Av. Rui Barbosa, que sobreviveu a diversos tiros de uma bateria AA alemã e quase morreu com um porre de vodka.

No dia 11 de março de 1945, durante uma missão da FAB na segunda guerra o então 1° Ten. Av. Rui Barbosa Moreira Lima decolou para cumprir sua 59ª missão. O alvo era a ponte ferroviária de Casarsa, conhecida por ser fortemente defendida pela AA alemã. Atacar alvos naquela região não entusiasmava os pilotos do 1° GAvCa. O próprio Ten. Av. Rui já tivera a asa de seu P-47 atingida por estilhaços de AA calibre.

Chegaram ao alvo na hora prevista, iniciando o ataque imediatamente. O alvo era uma ponte ferroviária sobre o rio Madduna. No momento em que iniciavam o mergulho, o Ten. Av. Rui descobriu uma bateria de 88 alemã, a cerca de 200 metros a ponte. Resolveu atacá-la, sendo recebido por forte barragem anti-aérea. A aproximadamente 3.000 pés de altitude, seu avião foi atingido no motor, perdendo dois cilindros. O motor começou a incendiar-se.

Naquele instante, o ímpeto de saltar diminuíra. O Ten. Av. Rui resolveu tentar uma manobra para apagar as chamas do motor e comunicou a ideia ao líder.

Vejam: O Brasileiro que se passou por General na França

“Minha decisão caiu como uma bomba sobre o pessoal. Entre as palavras que me chegavam aos ouvidos, quase todos me chamavam de burro, xingavam minha mãe, diziam que eu ia virar churrasco, que eu estava com medo de saltar. Ouvi o diabo, mas não dei bola.”

A manobra consistia em cortar a gasolina, mistura, gerador e magnetos e mergulhar com o avião até atingir 350 mph (563 km/h). Calculou que com isso o fogo deveria apagar-se e então o motor poderia ser religado. Apesar da quantidade de fumaça ter aumentado devido ao vazamento de óleo, a manobra foi bem sucedida.

Depois disso o Ten. Aviador Rui Moreira lima precisou pousar com emergência sem baixar as rodas do trem de pouso numa base aérea da britânica da RAF (Royal Air Force).

Após o impacto da lataria do Thunderbolt com o chão e com óleo vazando para todo lado Rui então desceu do P-47 pronto para falar inglês.

Daí veio um oficial num jipão e perguntou: – Brasileiro?

O Rui respondeu: – Yes! ai o

Ai o oficial respondeu: – Yes coisa nenhuma, seu sacana ! Como vão as mulheres de Copacabana? Que é que houve contigo?

O cara era brasileiro, Frederick Charles Tate era natural de Curitiba, no Paraná. Filho de ingleses, alistou-se como voluntário na Royal Air Force, tornando-se piloto de caças Supermarine Spitfire. Na véspera do pouso do Ten. Av. Rui, dois caças alemães Focke-Wulf Fw190 haviam atacado a base aérea de Forli, matando alguns pilotos poloneses. Por solicitação do comando polonês, a RAF enviou uma esquadrilha de Spitfires para fazer a defesa do local. Frederick C. Tate era o comandante dessa esquadrilha. O uniforme de Tate está até hoje no museu do Expedicionário em Curitiba (Puta dum uniforme lindo)

Ten. Av Rui barbosa em seu avião P-47 - Uma missão da FAB na segunda Guerra que terminou em VODKA

Era tradição naquele esquadrão que toda vez que um piloto escapasse de uma situação de extremo perigo, tomasse “um porre” dado pelos outros membros do esquadrão. Deram um porre de vodka no Rui. ELE ENTROU EM COMA ALCOÓLICO.

“Ainda no Hospital de Livorno, conversando com meu amigo Dr. Luthero Vargas, filho do Presidente Getúlio Vargas, que ali prestava serviço como oficial médico do 1° Grupo de Caça, atendendo aos feridos brasileiros e americanos que vinham da frente de combate, comentei: se eu tivesse morrido dessa coma alcoólica e perguntassem por mim no Brasil, vocês seriam obrigados a responder: ‘Bem, esse morreu de um porre de vodca’.”