Antes de realizar voos para Marte, a Rússia deve desenvolver tecnologias para as condições que existem na Lua, afirmou na segunda-feira (28), o presidente da Roscosmos, Igor Komarov.

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Na segunda-feira (28), o presidente russo, Vladimir Putin, assinou uma diretiva para dissolver a Agência Federal Espacial e integrar as suas competências na corporação estatal Roscosmos.

A Roscosmos terá todas as funções e poderes da antiga agência federal. Este passo deve unir os esforços dos setores público e privado para resolver os problemas da indústria espacial.Pouco depois desta decisão entrar em vigor, o chefe da corporação estatal, Igor Komarov, afirmou que, apesar de todas as mudanças e problemas, a Rússia continuará a explorar a Lua.

“Com efeito, Marte é um objetivo ambicioso do qual os nossos colegas da NASA falam, mas estou seguro de que os planos de curto prazo da agência europeia [Agência Espacial Europeia] (ESA, na sigla em inglês) e da NASA estão ligados para explorar a Lua. A Rússia desenvolve trabalhos sobre a Lua de forma plena. Apesar de problemas financeiros, preservamos o programa de exploração da Lua. Serão realizadas 5 expedições automáticas, não tripuladas. Está também em elaboração um programa de voo tripulado à Lua”, destacou Komarov em entrevista ao jornal russo Komsomolskaya Pravda.

Segundo ele, nem a ESA, nem a NASA pretendem realizar tais projetos sozinhas. Komarov sublinhou que a Rússia e os EUA e, se calhar, a ESA têm capacidade técnicas mas todos percebem que, para realizar estes projetos, devem trabalhar em conjunto.

“Agora não há o objetivo de ser o primeiro a voar até algum lugar”, afirmou o chefe da Roscosmos.

Komarov destacou que não há ainda tecnologias seguras para viajar até Marte.

“[A Lua] é aquele polígono que permitirá ajustar as tecnologias que ajudarão depois a trabalhar em outros corpos celestes. Temos de assegurar, pelo menos durante um ano, boas condições para a vida dos cosmonautas e manter o equipamento operacional. Sem isso, não há [voos até] Marte. Penso que serão precisos muito mais de 10 anos até termos tecnologias seguras e possibilidades de viajar até Marte”, disse Komarov.