O desastre do Submarino Kursk foi a maior tragédia naval da Marinha Russa em tempos de paz. O acidente aconteceu no Mar de Barents durante um treinamento planejado, todos os 118 homens que se encontravam a bordo morreram.

Conhecendo a tragédia do Submarino Kursk

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O Submarino Nuclear Kursk (K-141) da classe Oscar, batizado em homenagem à famosa Batalha de Kursk ocorrida na Segunda Guerra Mundial, afundou em 12 de agosto de 2000 no Mar de Barents, no norte da Rússia, matando 118 homens. Toda a tripulação do Kursk morreu no fundo do mar, devido à falta de medidas de segurança a bordo e a total falta de preparação da tripulação para esse tipo de situação.

O desastre ocorreu durante um grande exercício naval realizado pela Marinha Russa. Foi o primeiro grande exercício realizado em dez anos e uma oportunidade de provar que o sucessor do Exército Soviético é capaz de responder a ameaças de outras potenciais. O exercício incluiu 30 navios e três submarinos. Embora não seja normal que submarinos carreguem armas de combate durante esse tipo de  treinamento, o Submarino Kursk estava armado com 18 torpedos anti-navio e 22 mísseis de cruzeiro.

Monumento em memória aos mortos do Submarino Kursk
Monumento em memória aos mortos do Submarino Kursk

Os marinheiros a bordo do Submarino Kursk foram reconhecidos como a melhor tripulação da Frota do Norte por sua conduta pouco antes do acidente. O próprio submarino era considerado inafundável e capaz de resistir a um ataque direto de torpedo. Foi alegado que Kursk era capaz de confrontar formações inteiras de porta-aviões dos EUA.

Aparentemente, um dos torpedos a bordo do Kursk foi danificado e estava vazando combustível. É possível que o dano tenha ocorrido durante o carregamento do torpedo. No entanto, este torpedo em particular não estava armado com ogivas.

O Submarino afundou na posição 69° 40′ N 37° 35′ E

As autoridades negligenciaram o mau funcionamento, pois o exercício era uma prioridade máxima e precisava ser realizado dentro do prazo. O alto comando militar já havia sido envolvido em escândalos de corrupção, muitas vezes negligenciando o equipamento com defeito no exército russo. O destino dos marinheiros foi assim selado.

O vazamento de combustível levou à explosão inicial. Dois minutos e 14 segundos após a primeira explosão no compartimento do torpedo, o incêndio desencadeou uma segunda explosão de cinco a sete ogivas de torpedos.

As leituras sísmicas das explosões foram capturadas pela primeira vez por uma matriz sísmica norueguesa às 11:29h no sábado, 12 de agosto de 2000. O comando russo perdeu contato com o Submarino Kursk após as explosões, mas não perceberam que o submarino sofreu um acidente. Depois de seis horas que ficou óbvio que algo estava errado, uma operação de resgate foi organizada, deixando de localizar o submarino durante o primeiro dia.

Carta Submarino Kursk

Uma parte de uma nota escrita pelo oficial Dmitri Kolesnikov, encontrada em seu corpo no nono compartimento. “12.08.2000 15:15 Toda a tripulação do sexto, sétimo e oitavo compartimentos foi para o nono. Há 23 pessoas aqui. Nós tomamos esta decisão por causa do acidente. Nenhum de nós pode subir à superfície”

O Kremlin só foi informado do evento no dia seguinte ao ocorrido.

No domingo, 13 de agosto, os oficiais da Marinha tentaram esconder o acidente, dando uma declaração à mídia de que o exercício foi conduzido de maneira soberba, com exceção do Kursk, que sofreu “pequenas dificuldades técnicas”. Neste momento, a Marinha sabia que o submarino estava perdido, mas temia dar alguma informação sobre ele, já que eles mesmos sabiam pouco.

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Neste momento, as famílias dos homens que estavam no submarino já estavam preocupadas pois nenhum deles ligaram para casa. Diversas histórias enganosas foram ditas às famílias, mas nenhuma delas parecia plausível.

Submarino Kursk navegando

O Desaparecimento do submarino Kursk estava virando um escândalo internacional. Desde que os noruegueses captaram as leituras que indicavam uma explosão submarina ocorrida no Mar de Barents, o governo da noruega, juntamente com os britânicos, EUA, Israel, França, Alemanha e Itália, ofereceram ajuda. No entanto,  os russos recusaram a ajuda, alegando que uma operação de resgate estava em andamento e que tudo estava sob controle.

Na segunda-feira, 14 de agosto, uma declaração oficial foi dada. A Marinha disse à imprensa que o submarino havia “descido ao fundo do oceano”, que havia estabelecido contato com a tripulação e que “todos a bordo estavam vivos”.

Quatro dias após o acidente, alguns oficiais da Marinha alegaram que o Submarino Kursk foi danificado depois de atingir uma antiga mina submarina da Segunda Guerra Mundial.

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Até então, todas as tentativas de resgate falharam devido a más condições climáticas e equipamentos inadequados. Mergulhadores britânicos e noruegueses finalmente obtiveram autorização para ajudar na missão de resgate, mas receberam muitas restrições. Os russos ainda temiam deixar os estrangeiros aproximarem-se do submarino. Eles eram extremamente cautelosos em relação ao Kursk, pois representava o auge da engenharia soviética.

Depois que a equipe internacional inspecionou os destroços, eles descobriram as primeiras baixas. As explosões mataram a maioria dos homens a bordo, mas 23 marinheiros sobreviveram em um compartimento. Devido à reação lenta das autoridades, os homens sufocaram lentamente à medida que as reservas de oxigênio se esgotavam.

Era hora de sair com a verdade. Em 21 de agosto, o chefe do Estado-Maior da Frota do Norte da Rússia, Mikhail Motsak, anunciou ao público que o Kursk havia sido inundado e que a tripulação estava morta. No dia seguinte, o presidente Putin encontrou-se com as famílias dos marinheiros e oficiais mortos.

Durante a reunião, Nadezhda Tylik, a mãe do Tenente Sergei Tylik, estava extremamente nervosa e interrompeu a reunião. Ela gritou para o presidente e foi contida à força. Este escândalo ecoou pelo mundo, destacando a tragédia que tirou a vida de 118 homens.

O governo russo assinou um contrato de 65 Milhões de dólares com duas empresas holandesas para retirar o Kusrk do fundo do mar. sendo a maior operação de salvamento do seu tipo já realizada.

Submarino Kursk
Imagem mostrando como foi realizado o resgate do Submarino Kursk

Em 8 de outubro de 2001, quatorze meses após o desastre, e apenas cinco meses após o contrato ter sido assinado, a equipe de resgate cortou a parte da frente do submarino e  levantou o restante do navio em uma operação de 15 horas. Uma vez que o submarino foi levantado e se juntou à barcaça, foi levado para o Estaleiro Roslyakovo da Marinha Russa em Murmansk.

Submarino Kursk destruído

Em Murmansk, o Submarino Kursk foi transferido para uma doca seca, em seguida, o casco do navio foi aberto, e os corpos dos 115 tripulantes foram recuperados. Os últimos três foram destruídos pela explosão e seus corpos não puderam ser identificados ou recuperados.

Em 2002, o processo penal em relação ao acidente do submarino Kursk foi arquivado por falta de provas. A investigação concluiu que um torpedo de peróxido explodiu e a posteriormente algumas munições explodiram devido ao incêndio.

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A tragédia do Submarino Kursk
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