A ex-aviadora Helen James, uma operadora de rádio, foi expulsa da Força Aérea em 1955 porque era lésbica. Ela agora se diz feliz com sua nova dispensa.

 

O comunicado chegou via correspondência para a ex-Aviadora de primeira classe Helen Grace James em 17 de janeiro, mas ela não conseguiu abri-lo.

Helen esperou até que dois amigos pudessem vir e abri-lo para ela.


Foi uma boa notícia. Sua “dispensa militar em condições honrosas” foi atualizada para “honorável”.

“Eu ainda estou tentando processar isso”, disse a ex-aviadora, de 90 anos, ao Air Force Times.

Helen recebeu uma dispensa indesejável em 3 de março de 1955, depois de vários meses “estressantes” na Base da Força Aérea Americana de Roslyn, Nova York. Tudo porque ela era lésbica.

“Eu estava ansiosa, tive medo”, disse Helen. “Eu não sabia como lidar com isso”.

Antes do início da investigação que levou a sua saída, Helen apreciou o serviço militar. Ela participou de torneios militares de basquete e adorava trabalhar.  No geral, disse Helen, eu era uma pessoa alegre, até a investigação começar.

“Nesse momento a alegria basicamente acabou na minha vida”, disse. “Eu estava em um lugar diferente na minha cabeça e meu coração”.

Após ser dispensada da Força Aérea, ela frequentou a Universidade da Pensilvânia e teve que trabalhar e pegar dinheiro emprestado para pagar tudo, enquanto veteranos matriculados em universidades eram apoiados pelo GI Bill Act, uma lei que forneceu uma série de benefícios para os veteranos americanos da Segunda Guerra Mundial.


Em sua casa na Califórnia, Helen James mantém um álbum com fotos de seu tempo de serviço na Força Aérea (Cortesia do Legal Aid at Work ao Air Force Times).

Depois de se formar, ela foi o mais longe possível. Como o Havaí ainda não era um estado, Helen escolheu a Califórnia. Lá ela se tornou uma fisioterapeuta bem sucedida, mas a experiência traumática na Força Aérea continuou a afetá-la. Ela sofreu de estresse pós traumático e realizou diversas terapias ao longo de sua vida.

“Eu tentei cuidar de mim e provar que sou uma boa pessoa. Eu estava tentando provar isso para mim e eu estava tentando provar isso para minha família”, disse Helen. “Eles não tinham ideia do que eu estava passando. Ninguém tinha. Nós simplesmente não falávamos sobre isso.”

Sua dispensa indesejável havia sido atualizada para “honrosa” na década de 1960, mas ela ainda não havia recebido benefícios ou a tão sonhada paz de espírito. Helen solicitou a atualização para “honorável” no ano passado.

Ela entrou com um processo contra a Força Aérea dos EUA no início de janeiro. Helen é um dos muitos membros homossexuais do serviço militar que foram afetados negativamente pela política repressiva, porém poucos levaram esta luta a sério como ela, disse Elizabeth Kristen,sua advogada.

“Conheço membros do serviço (militar), homossexuais que não querem reabrir esse capítulo, que não estão dispostos a abrir um processo, que ainda vivem com essas dispensas desonrosas”, disse Kristen.

Agora, ela pode seguir em frente. Ela ainda não recebeu a documentação do DD 214, um documento do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, emitido após a aposentadoria militar, mas qualquer compensação que possam lhe dar não importa, disse Helen. Seu principal objetivo era obter a atualização.

Kristen espera que a história de Helen inspire outros a reivindicar e talvez mudar a maneira como o Departamento de Defesa lida com esses casos.

“O que eu espero é que quando as pessoas verem a bravura e a coragem de Helen e sua história, tenhamos mais pessoas dispostas a avançar, e desarquivar a papelada e arrastar o DD 214 para fora do armário onde eles ocultaram todos esses anos”, disse Kristen.

Helen está feliz de que as pessoas estejam ouvindo sua história e apoiando sua luta.

“Eu tive muito apoio de amigos, ex-estudantes, associados, pacientes, estou realmente recebendo a mensagem agora”, disse Helen. “Estou recebendo a mensagem de que é verdade”.

Texto original redigido por: Nicole Bauke, Air Force Times

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