Conheça o fuzil FN FAL  conhecido como  “O Braço direito do mundo livre”

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O FN FAL foi criado pela empresa belga FN em 1947, sendo um dos fuzis mais utilizados na história, tendo sido usado por mais de 90 países.

No teatro de operações da Segunda Grande Guerra, foram aplicadas táticas e técnicas de guerra nunca antes vistos em campos de batalhas. As estáticas trincheiras da primeira guerra se tornaram inviáveis, haja vista a extrema mobilidade das tropas no conflito.

Esse novo jeito de fazer guerra trouxe ao cenário beligerante estratégias de assaltos motorizado, ataques paraquedistas, missões de forças especiais; tudo isso fez surgir a necessidade de dotar as tropas de infantaria com um armamento que tivesse, principalmente, uma maior cadência de tiros e maior capacidade de armazenar munições e que por consequência abrisse mão da precisão necessária em combates de longas distâncias.

Isso fez com que, gradativamente, as forças armadas empregassem cada vez mais submetralhadoras, rifles automáticos e metralhadoras leves nas tropas de assalto e cada vez menos rifles de repetição.

Tal fato mudou a perspectiva das doutrinas de emprego de vários exércitos, que começaram a prezar mais pelo poder de fogo e menos pela precisão. Ao final da guerra, rifles como o Browning BAR e metralhadoras ligeiras como o britânico Bren além do icônico Sturmgewehr 44, o primeiro fuzil de assalto da história, revolucionaram o teatro de operações acrescentando um poder de fogo imprescindível às fileiras das forças modernas.

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Baseado nisso, em 1946 a empresa belga FN – Fabrique Nationale de Herstal – começou a desenvolver um protótipo de um fuzil automático robusto e prático que seguisse os novos requisitos dos combates contemporâneos, o FN FALFusil Automatique Léger – ou fuzil automático leve. Esse fuzil foi baseado no já citado Stg 44, que utilizava o cartucho intermediário 7,92×33 mm Kurz que combinava a cadência de uma submetralhadora com a precisão de um rifle – fato que tornou o Stg 44 tão revolucionário. Porém, os britânicos – que participavam do desenvolvimento da arma – alteraram o calibre do projeto FN FAL adaptando-o ao novo – e também intermediário –  calibre .208 british ou 7×43 mm, para que este fosse adotado pelo Real Exército Britânico.

FN FAL utilizado pelos Ingleses na Guerra das Malvinas
FN FAL utilizado pelos Ingleses

Com o desenvolvimento do projeto, o sucesso do fuzil estava garantido, sendo adotado em 1955 pelos canadenses, que com algumas poucas mudanças, batizaram o FN FAL de C1 e uma versão derivada do FAL –  que, porém, é mais apropriado para apoio de fogo para infantaria e é categorizado como fuzil-metralhadora – de C2, que no Brasil é conhecido como FAP – Fuzil Automático Pesado.

C2 canadense o FN FAL canadense
C2 canadense, no Brasil chamado de FAP Fuzil de assalto pesado.

Foi também empregado pela Áustria, onde recebeu o nome de Stg. 58 e foi fabricado sobre licença pela indústria de armamentos Steyr e claro pela Bélgica.

Versão austríaca do FN FAl, o Stg 58
Versão austríaca do FN FAl, o Stg 58

Em 1957 foi adotado pelo Reino Unido como fuzil padrão das forças armadas, onde ganhou maior notoriedade participando da Guerra das Malvinas (ou Falkland) recebendo a denominação de L1A1.

Monumento da Guerra das Malvinas, Note o FN FAL
Monumento da Guerra das Malvinas

Quem considera o fuzil estadunidense M16 como o principal rival do Kalashnikov AK-47, não conhece o papel importantíssimo do FN FAL no cenário bélico europeu durante os anos de guerra fria. Operado pela Bélgica, Holanda, Croácia, Inglaterra, Portugal, Irlanda, Alemanha Ocidental, Áustria além de Canadá, Austrália, Argentina e Brasil; ficou conhecido como O Braço Direito do Mundo Livre, por equipar alguns dos principais atores anticomunistas da Guerra Fria.

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FN FAL no Brasil

No Brasil, o FN FAL recebeu o nome de FN M964, utilizando o potente calibre 7,62×51 mm NATO – também chamado de .308 Winchester – para equipar as tropas com um excelente fuzil, extremamente robusto e moderno para época, em um período de extrema tensão no cenário político brasileiro, em 1964, após os militares assumirem o poder. Note que foi adotado apenas 9 anos depois que o Canadá começou a usá-lo e 7 anos após a Inglaterra, na época, um fuzil extremamente útil e adequado, tanto que até hoje tem mostrado um ótimo serviço, não apenas nas Forças Armadas como também nas Forças de Segurança Pública.

Policial do BOPE Utilizando um FN PARA-FAl
Policial utiliza FN PARA-FAl em incursão.

Porém, a Inglaterra interrompeu o uso em 1986, pois já havia se mostrado obsoleto, o Brasil, no entanto, ainda o utiliza, com o seu processo de substituição iniciado apenas em 2012, com o Imbel IA2, quarenta e seis anos após o início do serviço do M964.

Fuzil FN FAL por tropas brasileiras
Fuzil M964, o FAL utilizado no Brasil

O Braço Direito do Mundo Livre se mostrou extremamente capaz de rivalizar com qualquer armamento que fosse seu contemporâneo, seja rival como o soviético AK-47, seja aliado como o alemão HK G3. Tinha uma mecânica e manutenção simples, resistia a condições climáticas adversas e por isso foi adotado pelas forças armadas de mais de noventa países e ainda é utilizado por inúmeras nações – principalmente países de terceiro mundo –  o que evidencia a robustez e durabilidade do incrível FN FAL.

Variantes do Fuzil FN FAL

LAR 50.41 & 50.42

Versão conhecida no Brasil como FAP – Fuzil Automático Pesado 7.62.

FAL 50.61

Coronha dobrável, comprimento padrão do tambor 21,0 polegadas

FAL 50.62

Coronha dobrável, cano de 18 polegadas, versão para paraquedistas e alça dobrável.

FAL 50.63 ou Para-FAL

Versão com coronha dobrável, cano menor de 17,16 polegadas, utilizada pelos paraquedistas (pqd). Esta versão foi requisitada pelos paraquedistas belgas.

FAL 50.64

Com a mesma coronha dobrável da versão Para-Fal, comprimento padrão do tambor de 533 mm e um receptor inferior de liga de alumínio.

FN FAL – O Braço direito do mundo livre
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