Conheça algumas inovações que surgiram por causa das guerras:


Conflitos bélicos sempre que possível devem ser evitados, uma vez que tanto do ponto de vista humanitário como do lado financeiro os prejuízos são imensos. Entretanto, nesses períodos em que lutar se faz necessário para preservação de ideais como liberdade, dignidade e igualdade, surgem inovações que passam a fazer parte de nossas vidas quando a guerra termina. Conheça algumas delas:

Refrigerante Fanta:

Refrigerante Fanta

O Refrigerante Fanta originou na Alemanha como resultado de dificuldades na importação de xarope de Coca-Cola na Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial


No ano de 1941, portanto durante a Segunda Guerra Mundial, embargos às importações na Alemanha Nazista inviabilizavam que a fábrica da Coca Cola no país recebesse a matéria prima necessária para fabricação do refrigerante. Max Keith, chefe da filial alemã da Coca Cola, decidiu que seria produzido um novo produto enquanto a importação fosse inviável. E foi assim, apenas com as matérias primas disponíveis naquele momento, que surgiu a Fanta. Entretanto, o sabor cítrico que conhecemos hoje só viria no pós-guerra, durante a década de 50.

Forno de micro-ondas:

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Percy Spencer e o primeiro forno de micro-ondas
Percy Spencer e o primeiro forno de micro-ondas


A Guerra Fria produziu uma corrida por ter as melhores tecnologias. Durante o desenvolvimento de radares para detectar aviões inimigos, o engenheiro eletrotécnico Percy Spencer, após teste com um radar, notou que o chocolate no seu bolso havia derretido. Desconfiando de que isso havia ocorrido em virtude das micro-ondas, ele decidiu fazer um teste com outros alimentos, como um pouco de milho que logo transformou-se em pipoca. E assim ele começou a desenvolver o que viria a ser o primeiro forno de micro-ondas, lançado em 1947.

GPS:


Criação do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o GPS é fruto do projeto NAVSTAR, iniciado durante a Guerra Fria nos anos 60, com seus primeiros satélites lançados em 1979 e totalmente operacional desde 1993. Dentre os objetivos do projeto estava a garantia de que a entrega das armas seria feita no lugar certo. Além do rastreamento, a variedade de possibilidades de uso do recurso, como navegação, aferição de velocidade e geolocalização tornaram o GPS algo tão útil que não tinha como restringi-lo apenas ao meio militar.

Controle de tráfego aéreo:


Considerando que o primeiro voo de Santos Dumont no 14-bis foi em outubro de 1906, fica claro que a aviação ainda era algo muito recente quando a Primeira Guerra Mundial começou em julho de 1914. Os pilotos na época não tinham qualquer comunicação direta com o solo, eram apenas gestos, luzes e bandeiras. Tudo mudou quando os americanos implantaram rádios de comunicação em seus aviões utilizados na guerra.

Computadores

ENIAC
ENIAC –  foi o primeiro computador da história


Criado para computar trajetórias que requeriam muitos cálculos matemáticos, o ENIAC (Electrical Numerical Integrator and Calculator) foi o primeiro computador da história. Ele ocupava uma área de 270 m² e começou a ser desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943, mas só ficou pronto após o término do conflito em 1946. Foi desenvolvido principalmente pelos cientistas americanos John Presper Eckert e John W. Mauchly.

Internet


Durante a Guerra Fria, quando os americanos temiam serem atacados pelos soviéticos, era necessário que a comunicação e o armazenamento de dados fossem descentralizados, de modo que não se tornassem inviáveis no caso de alguma região ser atingida durante um ataque. A solução foi a criação de primeira rede de computadores, a ARPANET (Rede de Agências para Projetos de Pesquisas Avançadas), que funcionou entre 1969 e 1990. Depois disso, o primeiro uso de uma rede de computadores fora da área militar foi no meio acadêmico.

Difusão do uso do zíper


Apresentado ao mundo Exposição Mundial de Chicago, em 1893, o invento do engenheiro Whitcomb Judson era inicialmente utilizado em calçados. O uso do zíper só seria difundido graças aos aviadores americanos que fechavam seus uniformes com o fecho deslizante. Logo em seguida, o zíper chegaria também nas criações de estilistas da alta costura.


Lâmpadas ultravioleta


Quem hoje utiliza aparelhos de bronzeamento artificial não imagina que a primeira aplicação das lâmpadas ultravioleta foi ajudar crianças com raquitismo. No inverno de 1918, no final da Primeira Guerra Mundial, a pouca exposição ao sol em virtude da reclusão causada pela guerra provocou uma baixa generalizada de vitamina D. Entretanto, não se sabia na época que essa era a causa da doença. Até que, ao notar a palidez de seus pacientes, o Dr. Kurt Huldschinsky decidiu os expor a luz ultravioleta e obteve a melhora dessas crianças. A partir do sucesso da prática na área médica, câmaras de bronzeamento foram criadas com foco no uso estético.

Pilates


O alemão Joseph Pilates foi uma criança que sofria de raquitismo, asma e febre reumática. Para evitar passar sua vida em uma cadeira de rodas, ele buscou estudar a anatomia e a fisiologia humana. Vivendo na Inglaterra, onde chegou a ser boxeador e instrutor de defesa pessoal aos detetives da Scotland Yard, Joseph foi preso por conta de sua nacionalidade durante a Primeira Guerra Mundial. Ao lidar com prisioneiros de guerra que chegavam feridos, desenvolveu suas técnicas pessoais transformando-as em uma rotina diária de exercícios, até mesmo para aqueles que não podiam sair da cama. Depois do conflito, Joseph Pilates aplicou os aprendizados da prisão em pacientes comuns e difundiu suas técnicas.

Triagem de pacientes


Algo considerado essencial nos hospitais na atualidade, a triagem de pacientes começou nas Guerras Napoleônicas, no início do Século XIX. O objetivo era avaliar quais pacientes, dentre aqueles que mais precisavam de atendimento, tinham maiores chances de sobrevivência caso fossem atendidos. Assim, não eram priorizados aqueles que não sobreviveriam mesmo com o atendimento e aqueles que não morreriam imediatamente caso seu atendimento fosse postergado.

Cirurgia plástica


Dentre os neozelandeses que se juntaram aos aliados na Primeira Guerra Mundial estava o médico Harold Gillies. Lidando com soldados que tiveram os rostos desfigurados nas trincheiras, ele entendeu que as lesões de mandíbula e cranioencefálicas precisavam de um ambiente especial para seu tratamento. E foi assim que no Queen’s Hospital, em Londres, ele e sua equipe foram pioneiros na reconstrução facial, operando mais de 5000 pacientes entre 1917 e 1923.

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Banco de sangue


Na época da Primeira Guerra Mundial, já exista a transfusão de sangue. No entanto, o sangue passado para o paciente no mesmo momento da doação, pois ele coagularia caso fosse armazenado. Durante o conflito, a perda de soldados pelo fato de não ser possível uma transfusão durante as batalhas levou o médico militar americano, Oswald Robertson, a desenvolver um método que viabilizava o armazenamento. Através do uso de citrato trissódico, que evita a coagulação, o sangue podia ser armazenado e os bancos de sangue tornaram-se possíveis.

Absorvente


Na busca por uma forma de proteger melhor os ferimentos dos soldados na Primeira Guerra Mundial, a empresa Kimberly Clark descobriu um material cinco vezes mais absorvente que o algodão: a polpa da celulose. Durante o conflito, as enfermeiras observaram que isso era mais útil para ser utilizado durante a menstruação que os panos utilizados na época. Em seguida, após a guerra, a Kimberly Clark remodelou o material para que os absorventes fossem como os conhecemos hoje.

Comida enlatada


Buscando vencer um concurso que recompensaria quem inventasse um jeito de conservar os alimentos do exército francês, Nicolas Appert criou em 1795 a primeira embalagem para conservar comida, que era de vidro, tampada com rolhas e com conservantes nos alimentos. Ao publicar um livro sobre sua experiência no assunto, Nicolas inspirou o comerciante inglês Peter Durand, que em 1810 criou e patenteou um recipiente de estanho. Em 1815, alimentos nesse tipo de embalagem já seriam consumidos por soldados. A partir de 1830, a comida enlatada deixou de ser exclusivamente de uso militar.

Aço inox

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Na corrida armamentista que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, uma empresa fabricante de armas queria um material mais resistente no interior dos canos das armas. Buscando atender a essa demanda, o engenheiro inglês Harry Brearley chegou a um tipo de aço que não enferrujava. Apesar disso não atender ao pedido do cliente, ele seguiu com a pesquisa até chegar ao aço inox que conhecemos hoje, útil em áreas que variam dos utensílios domésticos até a aviação.

Drones


Criados com fins militares e vendidos hoje também para fins recreativos, os drones tiveram sua invenção inspirada na buzz bomb, da Alemanha Nazista. As primeiras experiências foram feitas pela marinha americana na década de 60, mas eram necessárias dezenas de pessoas para operar um único drone. Isso acabou no final da década de 70, graças ao engenheiro espacial israelita Abraham Karem, criador dos modelos Albatross e Amber. Somente quando ações militares envolvendo drones ganharam notoriedade, somado ao avanço de outras tecnologias, que o uso recreativo de aeronaves não tripuladas passou a acontecer.

Chocolates M&Ms

Campanha dos chocolates M&Ms durante a Segunda Guerra Mundial
Campanha dos chocolates
M&Ms  durante a Segunda Guerra Mundial


Durante a Guerra Civil Espanhola, no final da década de 1930, Forrest Mars, filho do fundador da fabricante de chocolates Mars, viu soldados cobrindo chocolates com açúcar para que eles não derretessem. Pensando na necessidade de criar um produto que não se dissolvesse com o calor ele criou os chocolates M&Ms. Já durante a Segunda Guerra Mundial, o produto fazia parte da alimentação dos soldados americanos, com o intuito de lhes dar energia.

Margarina


Em 1869, a França vivia uma crise financeira somada a escassez de manteiga, o que inflacionava seu preço. O Imperador Napoleão III precisava de algum produto novo para a alimentação do exército francês, pois não dava para pagar pela manteiga de tantos soldados. Então ele criou um concurso para premiar quem inventasse um produto que a substituísse. E foi assim que o químico Hippolyte Mège-Mouriès, que já vinha estudando o assunto, criou a margarina, que serviu não só serviu para os militares: grande parte da população que também não tinha como pagar pela manteiga passou a consumir o novo produto.

Escrito por Lucas Coutinho, jornalista do site curiosidades10.com.br

18 inovações que surgiram em virtude de guerras
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