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Túnel da Mantiqueira – O túnel da Revolução de 32

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Conheça o Túnel da Mantiqueira, palco da batalha mais sangrenta da Revolução de 32.

Após chegar à presidência do Brasil por meio de um golpe, Getúlio Vargas rompeu o acordo que firmava a política café-com-leite, que estabelecia a alternância de poder entre entre as elites de São Paulo e Minas Gerais durante a Velha República (1889-1930), negando-se a dividir o poder com o Estado de São Paulo, que, por sua vez, reagiu inflamando o sentimento de revolta entre a classe dominante paulista.

O resultado desse descontentamento foi a chamada Revolução Constitucionalista de 1932, comumente chamada de Revolução de 32, um dos principais conflitos internos já ocorridos no Brasil e um marco da revolta paulista contra a ascensão de Getúlio Vargas.

Além disso, a revolta tinha como objetivo assegurar a Assembleia Nacional Constituinte, na qual seria redigida uma nova Constituição, de caráter democrático, que já havia sido prometida pelo novo governo mas que só ocorreu, de fato, após a Revolução de 32 e o clamor dos paulistas, que não se conformavam com o golpe sofrido por Júlio Prestes e os rumos que a política brasileira tomava com os mandos ditatoriais de Vargas.

O Túnel da Mantiqueira

O Túnel da Mantiqueira é um túnel ferroviário com um quilômetro de extensão situado entre os municípios de Cruzeiro, em São Paulo, e Passa Quatro, em Minas Gerais. A inauguração do túnel de linha férrea ocorreu em 14 de junho de 1884 e contou com a presença ilustre da família real e do Imperador Dom Pedro II, que integraram a primeira comitiva que viajou de trem pelo trecho em questão.

O túnel, localizado na Serra da Mantiqueira, fica logo abaixo da Garganta do Embaú, um declive entre duas montanhas que possui grande importância histórica e serviu de passagem aos bandeirantes que cruzavam o chamado Caminho Geral do Sertão ou Caminho do Ouro, em direção a Minas Gerais. Era também uma das Estradas Reais, denominadas desta forma por serem oficialmente utilizadas a cargo da Coroa Portuguesa para diferentes finalidades.

Anos mais tarde, em 1932, Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes Sousa e Antônio Camargo de Andrade foram mortos em um conflito entre paulistas, que brigavam pela reforma constitucionalista, e mineiros apoiadores de Getúlio Vargas, que ascendeu ao poder impedindo que o presidente eleito pelo povo, o paulista Júlio Prestes, assumisse o cargo. Este seria o estopim para desencadear a Revolução Constitucionalista de 1932.

Posição estratégica nos conflitos de 32

Combatentes paulistas na entrada do Túnel da Mantiqueira

Combatentes paulistas na entrada do Túnel da Mantiqueira, no limite do estado de São Paulo

Construído por ingleses, sua localização estratégica entre os estados tornou o Túnel da Mantiqueira palco do embate mais sangrento da Revolução de 32. Assim como a Garganta do Embaú, o túnel registrou intensas batalhas entre paulistas e mineiros e entrou para a história como o front com maior número de baixas do conflito.

Entre as paredes úmidas e frias do túnel escuro, compatriotas lutaram arduamente, seguindo fiéis aos manuais de guerra que receberam: os paulistas inspirados no exército francês, enquanto os mineiros batalhavam com táticas de combate da escola prussiana, força militar que representava a oposição no cenário europeu da época.

Os confrontos no Túnel da Mantiqueira contaram com cerca de 100 mil combatentes do lado federal, em grande parte mineiros, e 60 mil revolucionários paulistas. Acredita-se que o número de mortos tenha superado a marca de 2 mil baixas para o estado de São Paulo e cerca de 1.050 entre os apoiadores do governo.

O Túnel da Mantiqueira atualmente

Frequentemente são realizadas homenagens aos combatentes mortos durante os conflitos da Revolução de 32 ocorridos no local. Na ocasião, militares se vestem com fardas de brim cáqui e portam armas e bandeiras semelhantes às utilizadas na época.

Em 1991 o túnel foi abandonado pela Rede Ferroviária Federal (RFFSA). A partir de 2004, a Regional Sul de Minas, divisão da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), assumiu a manutenção do túnel, que hoje se tornou a última parada do passeio de trem da Serra da Mantiqueira.

Em 30 de Maio de 2017, o Governo do Estado de Minas Gerais, em parceria com o Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais (CONEP), aprovou com unanimidade o tombamento do Túnel da Mantiqueira, agora patrimônio histórico brasileiro.

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Higor Mendes
Redator com cinco anos de experiência, apaixonado por história da Segunda Guerra Mundial, política, futebol e curiosidades em geral.

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