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Villar Perosa M15: a primeira submetralhadora da história

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Soldado operando uma Villar Perosa M15

Conheça a Villar Perosa M15, a mãe de todas as submetralhadoras

Desenvolvida pelos italianos no decorrer da Primeira Guerra Mundial, a Villar Perosa M15 foi projetada para a operação de observadores tripulantes de aeronaves de combate e é considerada a mãe de todas as pistolas-metralhadoras, ou submetralhadoras, uma vez que foi a primeira do tipo em todo o mundo.

Com cano duplo e carregada com munições 9mm, a Villar era, na prática, diferente do que sua aparência demonstrava ser. Apesar do cano duplo, a arma se tratava, na verdade, de duas armas totalmente independentes acopladas uma a outra. Cada uma das duas possuíam canos, mecanismos de tiro e até mesmo os carregadores totalmente separados.

Por conta de seu desenho ter sido pensado para a operação a partir de aeroplanos, sua cadência de tiro era surpreendente, chegando a alcançar a incrível marca (para a época e para o tipo de arma era um número incrível) de 1500 tiros por minuto.

Todavia, apesar de sua poderosa cadência, a munição de pistola 9mm Glisenti utilizada para carregar a Villar Perosa, através de dois pentes com 25 munições cada, não era poderosa o bastante para cumprir a função para a qual a arma foi criada, ou seja, não conseguia abater as aeronaves que, com o desenrolar da guerra, se tornavam cada vez mais resistentes. Além disso, o alcance dos disparos era considerado insuficiente.

Emprego no assalto a trincheiras

Com seu objetivo inicial fora de cogitação, a mãe das submetralhadoras passou a ser distribuída entre as tropas terrestres, sendo entregues aos soldados pela primeira vez em maio de 1916, quando cada batalhão de infantaria chegou a ter duas unidades desta arma. A partir de maio de 1917, o número de Villar Perosa por batalhão de infantaria já chegava a três. Seu batismo de fogo ocorreu na 12ª Batalha de Isonzo.

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Por conta de seu baixo peso, canos curtos e alta cadência de disparos, não demorou até que os soldados descobrissem o quanto ela seria eficaz na tomada de trincheiras. Até ali a mãe das submetralhadoras era utilizada apenas como uma arma defensiva, chegando até mesmo a ser equipada com um escudo blindado e uma guarnição de até 14 militares, como os ninhos de metralhadoras comuns na Segunda Guerra Mundial.

Villar Perosa M15 em operação

Soldados operando uma Villar Perosa M15

Com a descoberta da efetividade da submetralhadora no assalto as trincheiras, a partir de 1917 as unidades de Arditi do Exército Italiano (equivalente ao nosso grupo de Comandos do Exército Brasileiro) passaram a utilizá-la de forma agressiva, como uma arma ofensiva.

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Para isso, foi retirado o pesado escudo de proteção e acrescentada uma coronha de madeira, tornando possível seu manuseio durante ondas de ataque. Até aí, cada companhia Arditi também possuía três Villar Perosa em seu arsenal.

Villar Perosa adaptada

Villar Perosa adaptada para a tomada de trincheiras

Apesar da grande descoberta, um pequeno problema ainda dificultava o uso da submetralhadora. A cadência de tiros da Villar era extremamente alta, o que impedia que rajadas curtas pudessem ser utilizadas por soldados em pleno movimento, dessa forma, o método utilizado pelos militares era dar inicio aos disparos e só soltar o gatilho quando o carregador estivesse vazio. Mesmo assim, a arma ainda se mostrava eficiente e, em 1918, seu número passou para 6 armas por companhia Arditi.

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A mãe de todas as submetralhadoras

Infelizmente, esta arma que pode ser considerada um marco do mundo bélico foi praticamente dizimada no final de 1918. Isso porque elas foram recolhidas e, como verdadeiras mães, foram desmontadas para servirem seus componentes para a criação da Beretta M18, que por sua vez também é um marco entre as pistolas-metralhadoras.

Inúmeras Villar Perosa M15 foram capturadas por alemães e austro-húngaros, estes últimos ficaram tão impressionados que trabalharam na construção da Sturmpistole M18, o que podemos considerar como filha idêntica ou uma legítima cópia da Villar italiana, sendo os carregadores a única diferença entre as duas. Enquanto o pente da arma original era curvo, sua cópia austríaca possuía carregadores retos.

Info: Royal Armouries

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Higor Mendes
Redator com cinco anos de experiência, apaixonado por história da Segunda Guerra Mundial, política, futebol e curiosidades em geral.

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