Artigos

A corrida armamentista da Guerra Fria

0

Entenda mais sobre este conflito político que ocorreu durante a Guerra Fria

Após a Revolução Industrial, ocorreram grandes avanços e melhorias em diversos tipos de produtos, com as mais diferentes finalidades. Entre estes avanços está a fabricação de artefatos de guerra, que foram constantemente aperfeiçoados e passaram a ser produzidos em larga escala, impulsionada pelo contexto de conflitos e guerras que ocorriam no mundo todo, aliado ao interesse comum entre as nações de adquirir os melhores armamentos.

Historicamente, os conflitos armados sempre foram uma das formas mais utilizadas para resolver impasses geopolíticos e econômicos. Com o advento da pólvora e das armas de fogo, uma revolução ocorreu no que diz respeito à forma de lidar com os conflitos entre nações, que ganharam maior poder ofensivo e, consequentemente, sentiram a necessidade de superar seus rivais em um novo quesito: o poderio bélico.

Ao longo da história, muitos conflitos armamentistas ocorreram entre países, mas nenhum deles foi tão caro – nem tão complexo – para os envolvidos quanto o que foi visto durante a Guerra Fria (1947-1991). A disputa armamentista que ocorreu entre as superpotências americana e soviética foi marcado pela busca em construir um arsenal mais sofisticado, mais eficiente e, consequentemente, com maior poder de destruição.

As implicações deste anseio comum aos dois maiores testa de ferro da época teria desdobramentos no mundo todo. Confira.

Contexto Histórico

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), EUA e URSS foram aliados na luta contra a Alemanha de Adolf Hitler. Neste contexto, diversos países envolvidos no conflito buscavam aperfeiçoar seu poderio bélico e adquirir novas tecnologias com maior poder ofensivo.

Em 1945, com o lançamento das bombas atômicas pelo governo americano sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, a necessidade das grandes nações em obter armamentos mais letais tornou-se ainda mais presente, sobretudo, nos países que faziam oposição aos Estados Unidos.

Após o fim da Segunda Guerra, a URSS tomou grande parte do território alemão e apropriou-se de grande parte das pesquisa científicas que foram desenvolvidas pelos nazistas. Ao mesmo tempo, uma grave crise política se instaurava entre os antigos Aliados que fizeram oposição aos países do Eixo, causada pela latente diferença ideológica entre os Aliados ocidentais (EUA, Inglaterra e França) e os aliados orientais do Leste Europeu, que integravam a URSS de Josef Stalin.

O regime democrático liberalista pregado pelas nações ocidentais, como Estados Unidos e Inglaterra, pregava a garantia da liberdade econômica das instituições e as liberdades individuais dos cidadãos, ideologia esta que se opunha ao marxismo que orientava a URSS, nascida da Revolução Russa, liderada pelos bolcheviques que buscavam implementar o regime comunista em seu território.

O primeiro ministro britânico, Winston Churchill, demonstrava preocupação com o crescente fortalecimento geopolítico e tecnológico da URSS, que avançava pelos territórios da Europa e Ásia sob ideais comunistas. Em 1946, em seu discurso, citou a emblemática expressão “iron curtain”, ou Cortina de Ferro, referindo-se à divisão política e econômica que se desenhava no continente europeu, entre os Blocos Ocidental e Oriental.

As preocupações de Churchill logo ganharam o apoio dos Estados Unidos. Com isso, em 1947, o presidente Henry Truman propôs o chamado Plano Marshall, uma iniciativa para a reconstrução dos países europeus devastados pela Alemanha nazista, reestabelecendo as cidades sob a ideologia democrática e capitalista dos países ocidentais. Este projeto político foi aceito pelas demais nações ocidentais e foi implementado no mesmo ano.

Stalin, por sua vez, acusou os EUA de praticar medidas de caráter imperialista, ao passo que estimulava a aplicação dos preceitos comunistas e incentivava os muitos partidos que partilhavam da mesma ideologia soviética, em vários países do mundo. Estas medidas somaram um clima de tensão entre as maiores potências mundiais, estabelecendo assim, de forma definitiva, a oposição e polarização mundial, liderada pela URSS e pelos EUA.

Na Alemanha, antigo inimigo em comum entre os Aliados, a oposição criada através do Plano Marshall e das investidas de Stalin foram marcadas pela construção do Muro de Berlim, e, 1961, que dividiu a cidade entre o lado oriental, amparado pelos soviéticos e o lado ocidental, com suporte recebido dos países capitalistas.

A corrida armamentista da Guerra Fria

USA e URSS foram rivais durante a Guerra Fria, período de grande tensão internacional

USA e URSS foram rivais durante a Guerra Fria, período de grande tensão internacional

O clima de tensão estabelecido entre as superpotências EUA e URSS culminou em um dos maiores conflitos do século XX, a chamada Guerra Fria, um conflito complexo marcado por fases delimitadas por acontecimentos significativos, tendo como ponto de partida o ataque às cidades de Hiroshima e Nagasaki, nos dias 6 e 8 de agosto de 1945.

O conflito é assim denominado por não ter resultado, de fato, em grandes conflitos armados e diretos entre os envolvidos, mas sim, conflitos indiretos, intermediados por terceiros, que recebiam apenas uma espécie de suporte das nações polarizadas, configurando o que é definido como guerra por procuração.

O que se viu amplamente foi uma grande disputa tecnológica, política, econômica e ideológica, culminando na polarização mundial, na interferência política de outros países do mundo e nas corridas espacial e armamentista.

As armas nucleares

Cogumelos formados pelo lançamento das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, respectivamente

Cogumelos formados pelo lançamento das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, respectivamente

Após o lançamento das bombas Little Boy e Fat Man, sobre Hiroshima e Nagasaki, respectivamente, ficou claro para a URSS que os Estados Unidos tinham suas próprias cartas na manga. Apesar de saber que os americanos haviam criado as bombas atômicas, os soviéticos não sabiam do plano de lançamento das mesmas sobre o Japão.

Logo após a ruptura entre os Aliados, após o fim da Segunda Guerra, a expansão da URSS preocupou as nações do ocidente. Para demonstrar seu poder armamentista, os EUA fortaleceram e ampliaram seu arsenal atômico. Sentindo-se ameaçada, a URSS criou sua própria bomba atômica, em 1949.

Como resposta, em 1952 os EUA testaram a primeira bomba atômica de hidrogênio, chamada de superbomba, muito mais potente que as anteriores. Um ano depois, a URSS criou, então, uma arma equivalente. Em 1953 morria Josef Stalin, deixando a liderança da URSS para Nikita Khrushchov. Em 1957, a corrida armamentista ganhou novos capítulos, muito mais alarmantes, quando as duas potências testaram seus mísseis balísticos intercontinentais.

Desdobramentos da Guerra Fria

Dwight Eisenhower, 34º presidente dos Estados Unidos da América

Dwight Eisenhower, 34º presidente dos Estados Unidos da América

Ainda em 1957, no dia 4 de outubro, a URSS surpreendeu o mundo ao lançar o primeiro foguete espacial, o Sputnik I. Este acontecimento elevou a corrida armamentista a um novo patamar, dando início à corrida espacial.

O então presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, tentava amenizar a real importância da capacidade tecnológica soviética, enquanto nos bastidores garantia a transferência de fundos para financiar a campanha espacial americana, até finalmente lançar o primeiro satélite norte-americano, em 31 de janeiro de 1958.

Os EUA realmente acreditavam que a URSS estava à frente na corrida militar e que detinha maior capacidade balística nuclear. Esta teoria ficou conhecida como Missile Gap ou Espaço de Mísseis. A disparidade de fato existia, mas em favor dos americanos, que possuíam um significativo número de ogivas além das pertencentes aos soviéticos, como foi provado pela própria CIA.

O ápice da Corrida Armamentista

Nikita Khrushchov, ex-primeiro-ministro da URSS e John F. Kennedy, 35º presidente dos EUA

Nikita Khrushchov, ex-primeiro-ministro da URSS e John F. Kennedy, 35º presidente dos EUA

Em 1962 a corrida armamentista alcançou um ponto crítico, quando o presidente americano John Kennedy tentou derrubar o governo cubano de Fidel Castro. Fidel e Khrushchov firmaram um acordo secreto, no qual Cuba concordava em abrigar ogivas soviéticas como forma de garantir uma possível resposta nuclear, caso surgisse a necessidade de defesa em larga escala.

A inteligência americana eventualmente descobriu a construção das bases em Cuba e exigiu que a URSS interrompesse o projeto e retirasse todas as ogivas do território cubano. O povo americano foi notificado acerca do que foi classificado como ameaça à segurança nacional, deixando claro que faria uso da força militar americana, caso fosse necessário. Este episódio durou 13 dias e ficou conhecido como Crise dos Mísseis de Cuba.

O mundo testemunhou a real possibilidade de ocorrer uma guerra nuclear, entretanto, Khrushchov propôs um acordo com os americanos, aceitando retirar os mísseis de Cuba, desde que os EUA concordassem em não invadir o território cubano. Além disso, Kennedy concordou em retirar ogivas americanas da Turquia e o conflito terminou pacificamente.

A Guerra Fria terminou em 1991, com a dissolução da União Soviética após a renúncia de Mikhail Gorbatchov. As ogivas soviéticas foram todas levadas para a Rússia, para que fossem destruídas. As nações que detinham ogivas também concordaram em destruí-las. Este foi o marco oficial do fim do maior conflito armamentista da história.

Info: Army Race | History

Clique para classificar este post!
[Total: 1 Média: 5]
Higor Mendes
Redator com cinco anos de experiência, apaixonado por história da Segunda Guerra Mundial, política, futebol e curiosidades em geral.

    Senta a Pua: FAB na Segunda Guerra Mundial

    Artigo anterior

    Freddie Oversteegen: a jovem que seduziu e assassinou soldados nazistas

    Próximo artigo

    Comentários

    Os comentários estão fechados.

    Mais Artigos